O poder do silêncio: mais escuta e menos ruído.

Estamos sempre querendo falar, sempre diante dos nossos discursos mas pouco silenciamos para escutar, para sentir a voz do outro, o discurso do outro, o ponto da onde o outro parte nessa infinitude do todo. Quando falamos muito não nos disponibilizamos para ouvir a si e ao mundo com profundidade.
Quantas vezes distorcemos o uso da palavra nas nossas vidas? Seja na fofoca ou na distorção dos nossos sentires. Muitas vezes falamos demais na fuga do sentir. Nos apaixonamos contamos para todos. Estamos felizes e muito projetamos dos nossos discursos internos naquela vivência. Ao falar sempre estamos projetando discursos. O que é, no real, sempre atravessa tudo que a palavra toca.
A palavra  também é parte da nossa energia vital que se espalha pelo mundo. As circunstâncias que vivemos são reflexos dos nossos diálogos internos. A palavra que soltamos está sempre a criar uma realidade com mais ênfase. A palavra dissemina, a palavra fertiliza idéias e mentes, nos espalha no mundo e promove correntes energéticas.
A palavra é troca, é energia e fluidez. A palavra tanto ilumina quando destroça. A palavra pode ser luz ou lança. Palavras afiadas cortam e machucam. Palavra desnecessária é alívio de angústia. Palavra que julga é contorno das falhas do próprio ego que dissemina. Palavra vingativa é defesa de vulnerabilidade. Palavras sempre contornam a verdade. Palavras são nosso material de troca mas não podemos confundi-las com a pulsão real do todo.
Meu desafio para a próxima temporada é: silenciar mais e viver mais plenamente. Silenciar a mente, silenciar as palavras que apenas suprem nossas angústias, silenciar as notificações do instagram, silenciar as palavras indevidas, silenciar para poder se escutar com mais força, para que o outro possa chegar com mais espaço de contato. Silenciar o discurso pronto para mergulhar em novas esferas de vida e se permitir adentrar em histórias inéditas sem tantas projeções.

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